Seminário Nacional – Violência: uma epidemia silenciosa
Mais de 1500 pessoas participaram dos dois dias de evento que discutiu o tema violência no âmbito do Sistema Único de Saúde
Durante os dias 29 e 30 de abril, a capital gaúcha sediou o Seminário Nacional – Violência: uma epidemia silenciosa, que contou com a participação de mais de 1500 pessoas, reunidas no Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre. O objetivo do encontro foi discutir a violência como um problema de saúde pública, aprofundando questões relevantes como o impacto do uso de álcool e drogas; a violência na adolescência; a violência no trânsito; e a prevenção dos suicídios. Foi ressaltada ainda a importância da atuação intersetorial e da ação política para o enfrentamento da violência. A Conferência Magna, proferida por Sylvana Cote, da Universidade de Montreal/Canadá, teve como tema as “Trajetórias de agressão física na infância: fatores de risco e programas de prevenção”.
O evento promovido pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) e pela Secretaria de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul recebeu em sua abertura autoridades com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão e a governadora do estado Yeda Crusius. Participaram também o representante da Unesco no Brasil, Vicent Defourny; o representante da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) no Brasil, Diego Victoria; o representante do Escritório das Nações Unidas contra Crime e Drogas (UNODC), Giovani Quaglia; o presidente do Conselho Nacional de Saúde, Francisco Batista Júnior; e o representante do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Francisco Cardoso.
Na abertura do seminário, o presidente do CONASS, Osmar Terra, destacou o apoio do Ministério da Saúde para promover a mobilização em torno do tema violência o que, segundo Terra, “foi decisivo para impulsionar o compromisso de que as políticas mais abrangentes, surgidas dos estados e dos municípios, sejam adotadas pelo Ministério da Saúde, configurando-se como propostas para a elaboração de uma política nacional de prevenção e combate à violência”, disse.
Para o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, a expectativa é que o resultado do seminário se transforme em medidas práticas e objetivas que possam ser formalizadas. “Esperamos que o Ministério da Saúde possa utilizar os projetos apresentados para o aperfeiçoamento de suas políticas, apoiando estados e municípios. Precisamos estabelecer uma estratégia que não seja silenciosa para o enfrentamento da violência, uma estratégia aberta, corajosa e transparente e que as bases para a superação dessa questão, para que sejam eficazes, possam partir da reflexão sobre a realidade, por mais violenta e agressiva que seja”, defendeu.
A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, disse que o papel do Estado é garantir a educação, a saúde e a segurança para a população. “Prevenção e combate à violência são duas coisas que se complementam. Por isso mesmo quebramos paradigmas ao dizer que violência é uma questão de saúde pública, pois, se não atuarmos na origem, nunca iremos barrar o crescimento da sociedade violenta”.
Um problema de saúde pública
Osmar Terra abriu o evento citando a frase da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco): “Se a guerra nasce na mente dos homens é na mente dos homens que nós temos que erguer as defesas da paz”. E completou: “Atrás de cada ato de violência tem um estado mental alterado que pode ser prevenido. A falta de cuidados na primeira infância, por exemplo, pode refletir diretamente em possíveis comportamentos violentos no futuro. Portanto, estamos sim falando de temas pertinentes à saúde, onde a saúde pode dar sua contribuição articulada com educação, segurança e diversos outros setores a fim de construir políticas adequadas”, argumentou. Osmar Terra defendeu ainda que o setor tem como aliada na prevenção e no combate à violência a rede formada pelo trabalhadores do SUS, como o Programa Saúde da Família (PSF).
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão ratificou a fala do presidente do CONASS, Osmar Terra, dizendo que é preciso atuar com políticas interinstitucionais, envolvendo a sociedade, a escola, a mídia e os movimentos comunitários. “Só é possível enfrentar e combater a violência atuando junto às famílias. A saúde pública tem uma grande contribuição a dar por meio dos Programas Saúde da Família (PSF) e Agentes Comunitários da Saúde (ACS) e com políticas como a que existe no Rio Grande do Sul – o Programa Primeira Infância Melhor – que orienta as famílias para que promovam o desenvolvimento integral de suas crianças”, disse.
O evento
Os temas que compuseram o primeiro dia do evento foram:
• “O impacto da violência na saúde pública”: apresentado pelo gerente do Núcleo de Epidemiologia do CONASS, Nereu Henrique Mansano.
• “Violência: um problema de saúde pública no Brasil e no mundo”, coordenado pelo Secretário de Estado da Saúde do Tocantins e vice-presidente do CONASS na região Norte, Eugênio Pacelli, com apresentações de Otaliba Libânio Neto, do Departamento de Análise de Situação de Saúde, do Ministério da Saúde; Marie-Josée Guérette, do Ministério da Saúde e dos Serviços Sociais do Quebéc; Henry Murrain, da Corpovisionarios da Colômbia; e Alberto Concha, da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
• “Violência: as várias faces de um mesmo problema”, coordenado pelo Secretário de Estado da Saúde do Rio de Janeiro e vice-presidente do CONASS na região Sudeste, Sérgio Côrtes. Nesta mesa foram apresentados os temas: “Violência na Adolescência”, pelo médico José Outeiral; “O impacto do uso de álcool e drogas na violência”, pelo coordenador da Unidade de Dependência Química do Hospital Mãe de Deus, Sérgio Paula Ramos; e “Capacitação das Equipes Saúde da Família para o enfrentamento da violência”, pelo médico psiquiatra da SES/SC, Alan Índio Serrano.
O segundo dia do seminário começou com a “Troca de experiências para o enfrentamento da violência como um problema de saúde pública” (veja box abaixo). Nas mesas de discussão foram apresentadas:
• “A importância da ação intersetorial no combate à violência”, coordenada pelo Secretário de Estado da Saúde do Mato Grosso e vice-presidente do CONASS na região Centro-Oeste, Augustinho Moro, e apresentada por Marco Antônio Moura, da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul.
• “A ação política para o enfrentamento da violência como um problema social de saúde pública”, coordenada pelo presidente do CONASS, Osmar Terra, e que contou com a presença do senador Marconi Perillo; do governador de São Paulo e ex-ministro da Saúde, José Serra; do prefeito de Teresina, Silvio Mendes.
• “Violência no trânsito”, coordenada pelo Secretário Executivo do CONASS, Jurandi Frutuoso e apresentada por Alfredo Peres, do Denatran.
• “A violência como um problema de saúde pública: da teoria à prática”, que contou com a participação de representantes da Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco), Edinilsa Ramos de Souza; do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), Silvio Fernandes; do CONASS, Osmar Terra e do Conasems, Antônio Carlos Figueiredo Nardi.
Adriane Cruz - Jornalista
Assessoria de Comunicação Social - CONASS
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